O procedimento cirurgico em 20 de fevereiro foi adiado. Em pleno carnaval, em Salvador, talvez não fosse uma boa além do mais, porque tenho uma experiencia de uma cirurgia que perdi o horário e não foi nada agradável. O fato narrei em um outro blog (2007) que vou colar aqui. O MST Na data marcada para a realização da minha cirurgia, nada poderia dar errado. Fizemos tudo dentro dos termos e horários previstos, mas, depois que percorremos 40 dos 110 quilômetros de pista dupla que separa Feira de Salvador, os carros eram obrigados a seguir uma marcha lenta, como um cortejo fúnebre. Não sabíamos o que nos aguardava a frente, imaginávamos um acidente, algo assim. Ônibus, carretas e carros pequenos enfileirados após mais ou menos, cinqüenta quilômetros que percorremos em duas hora e vinte, Daí avistamos ao longe, o lado direito da pista tomado pelas “cabeças Vermelhos”. Bira lembrou logo do massacre dos sem terras em Eldorado dos Carajás, que tornou-se um marco histórico na luta dos bandidos e marginais por terra. A pista dupla ia afunilando e formando apenas uma, na outra eles marchavam em fila, todos armados com foices, facas, facões, e pedaços de paus. Fiquei indignada quando vi a polícia e um caminhão pipa. Bira explicou que o caminhão era da prefeitura e estava ali como apoio para matar a sede deles e a polícia para protegê-los de nós, cidadãos de bens e desarmados. Não. Não consegui entender essa pátria nossa amada. Não era possível meu Deus. Eram muitos, alguns levavam faixas, mais na frente encontramos um trio elétrico. Marchavam sorrindo felizes. Acenei para alguns, Bira me reclamou, recebi panfletos de outro que dizia uma grande contradição assim escrito: “O MST estará se mobilizando em todo o país nesta semana que antecede o dia 17, data do massacre dos sem terra, numa grande jornada contra a violência e a impunidade no campo e, para dizer que a vida que foi ceifada daqueles companheiros, não poderá ter sido em vão”. As horas se passavam e podia comprometer a minha cirurgia mas, os absurdos eram tantos que até esqueci deste fato. Como reivindicar não violência se eles estavam armados? O que me deixou mais indignada ainda foi a presença da Polícia Federal. Perguntei a um dele porque a polícia estava ali, ele respondeu esboçando um sorriso que deixou à amostra a dentadura falha e suja, “pra proteger noisi”. Que basurdo. Terminada o percurso, no fim da marcha, olha a polícia ali de novo. Cheguei atrasados 40 minutos para a realização da cirurgia. Os funcionários não registraram a minha chegada nem avisaram ao médico que foi realizando outras cirurgias agendadas também, para aquele dia. Eu já não suportava a sede e a fome, as enfermeiras diziam que o médico estava numa emergência, mas não estava não. Duas horas da tarde a minha acompanhante, Maria José, pediu as enfermeiras que me pusesse no soro para aliviar a sede e a fome. Elas disseram que ia descer o prontuário para o médico requisitar. Três horas depois, e a solicitação do médico não chegava, comecei a chorar, fui até a secretaria do setor que eu estava internada, as enfermeiras disseram que ainda iam procurar o meu prontuário. Eles, os prontuários, estavam bem a minha frente e numa crise de choro e exaustão, joguei todos os prontuários violentamente no chão, juntamente com o telefone e um quadro espelhado, tudo o que ia encontrando pela frente, as enfermeiras todas com os olhos arregalados tomaram imediatamente as providencias para ministrar o soro e dizer ao médico o que se passava ele, após a minha cirurgia as repreendeu severamente na minha frente, por não terem avisado da minha chegada e disse que o caso ia ser levado a direção e que os prejuízos ficariam por conta delas. A cirurgia que seria realizada às dez horas da manhã acabou sendo às 17. A cirurgia que fui submetida foi para colocação de um expansor na mama direita.  
Expansor é este objeto na área verde. A idéia é a de que o expansor seja inflado gradualmente ao longo de meses por injeções repetidas de liquido (como vc pode ver na gravura) para esticar a pele, como a barriga de uma mãe sendo distendida pelo crescimento do bebe. Quando esse processo se completa, o expansor é removido (outra cirurgia) e substituído por uma prótese permanente. Essas injeções de soro são ministradas por uma válvula que o expansor possui, essa mangueirinha que vc esta vendo na imagem de fundo verde, ela fica debaixo de sua pele, num local onde meu médico facilmente a identificará, posso senti-la ao tocar. Sei que depois de tudo isso vou ficar muito legal. Por esse post recebi alguns comentários :
Maria Carmo] Helena,solidarizo-me a você em parte. Com o tratamento dado a você no Hospital e que bom que o Dr as repreendeu a tempo.Parece que nos Hospitais nao ha Humanidade e elas fazem o que querem. Agora, por favor, reconheça que o MST é tem uma historia e sua importância social. Se eles gritam, é porque lhes foi negado algum direito, como fizeram com você no Hospital. De repente, você teve de virar a mesa e jogar tudo no chao! Naquele momento você teve motivos de sobra pra se revoltar, nao teve? Os integrantes do MST também têm motivos! Por isso o médico ficou de teu lado, pois ele, pelo menos foi humano e justo! Ninguém sai àas ruas impunemente! So no Carnaval que se sai àas ruas pra se divertir! Ficou claro sua posiçao direitista e contraria à classe oprimida e isso precisa ser reparado! Precisamos ser mais humanos, mais sociais e mais justos, pois um dia sobra para nos mesmos! So que a bomba apenas doi, quando esta em nossa mao, né? Na mao dos outros para nos é refresco! pense nisso,ok!! Os outro comentários acesse para ler: http://helenaconserva.zip.net/arch2007-04-15_2007-04-21.html
Escrito por Helena Conserva às 22h11
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Isso aconteceu de verdade MÉDICOS E PACIENTE DE CANCER: DESINFORMAÇÃO VERSUS EXPLORAÇÃO EM FEIRA DE SANTANA Informação é o que falta as pacientes de câncer e desespero é o que sobra. Inicio neste espaço algumas considerações acerca do problema da desinformação sobre um outro problema, que é o câncer de mama em Feira de Santana. Decidi bruscamente mudar o rumo dos meus escritos depois do último episódio sobre exploração desumana de um médico para com uma paciente nessa cidade. O conteúdo dessa matéria seria a desinformação quanto os direitos de quem se trata de câncer, mas, prometo tratar disso no próximo texto. A título de informação: existe na cidade a AAPC – Associação de Apoio a Pessoas com Câncer – que é uma casa de acolhimento e amparo a pessoa com câncer, em tratamento nas clínicas da cidade. Situada a Avenida Maria Quitéria, 2.476 coordenação de Betânia Knoedt. A primeira medida que a mulher deve tomar é realizar a MAMOGRAFIA E A ULTRA SONOGRAFIA mamaria através do plano de saúde ou do SUS. Procurar o IMA na Av. Maria Quitéria ou a Clínica CEON na Castro Alves, que encaminha os pacientes pra um tratamento gratuito e de direito afim de detectar a tempo de curar. É importante procurar uma clínica séria e um médico competente e comprometido. Mas, vamos ao episódio: Ontem ouvi a história de uma senhora que procurou um determinado médico depois que sentiu um caroço no seu seio. O médico apalpou o caroço e disse: a senhora esta com um tumor maligno e em estágio avançado. Terá que se submeter à mamotomia. Esse exame o SUS não cobre, plano nenhum cobre, custa 1500,00 e só é realizado aqui nessa clínica e comigo. Mamotomia ou biópsia percutânea é um método mais atual que substitui a punção. O médico detectou que era maligno sem fazer exame laboratorial. A mulher foi tomada por um choque, à pressão subiu e ela passou mal. “Talvez morrer naquele momento fosse a minha salvação”, ela disse. Mas graças a Deus ela não morreu e eu indiquei que procurasse a Clínica CEON. Ela procurou e no mesmo dia foi realizado o exame de “Punção aspirativa”. Com agulha fina o médico introduz na mama, que vai dentro do tumor, buscar seu líquido pra detectar se é ou não maligno e daí ver o próximo passo. Por esse exame ela não pagou absolutamente nada. Esse é o procedimento correto e não, ser desumano ao ponto de sem nenhum exame dizer que a mulher esta com câncer maligno e o que é pior, se aproveitar da situação dizendo que o exame custa mil e quinhentos reais. È uma pena que o nome da clínica e do médico eu não possa mencionar por uma questão de ética. Visite o meu site sobre câncer: http://sosmamahc.blogspot.com
Escrito por Helena Conserva às 23h57
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